No limiar de uma nova Era da Medicina é oportuno perguntar: qual será o futuro dos trabalhadores da saúde? E aqui englobamos três milhões de pessoas representadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS) no Brasil. A equipe que faz um hospital funcionar, como sabemos, não é composta só de médicos e enfermeiros. Sem auxiliares e técnicos de enfermagem o que seria dos pacientes? Todos os outros cidadãos que atuam em estabelecimentos de saúde, subordinados às regras da NR-32, também carregam a mesma responsabilidade. Limpeza, nutrição, manutenção e inúmeros outros serviços têm condições técnicas, especiais e únicas, diferenciadas de outras categorias.
Hospitais de ponta, como, por exemplo, Albert Einstein e Sírio Libanês, situados em São Paulo, estão investindo de forma expressiva não só na expansão do número de leitos, mas também em tecnologia da informação. O robô que faz cirurgia não é mais ficção. Chama-se Da Vinci e já realizou mais de 200 procedimentos bem sucedidos. Laudos digitalizados, centro de simulação realística, etiquetas inteligentes, boneco robô computadorizado são algumas das novidades já incorporadas à rotina dos cerca de 15 mil funcionários desses dois grandes hospitais. Por outro lado, a par dessas benéficas novidades, existem hospitais que nem mesmo fornecem uniformes para os seus funcionários.
Condições precárias e inseguras, assédio moral, falta de insumos básicos como soro e luvas cirúrgicas, além de atrasos nos salários e não pagamento de adicionais infelizmente ainda são irregularidades comuns em nossa base, conforme relatos e denúncias que chegam a nossos sindicatos filiados. Muitos hospitais ainda usam os trainees durante anos, sem promovê-los, sem pagar o salário equivalente à função. O estresse no ambiente hospitalar é destruidor.
Pela experiência que temos, o trabalhador da saúde quer se aperfeiçoar, estudar, melhorar seus conhecimentos na busca de um futuro melhor. Muitos sindicatos de nossa base confederativa investem na educação continuada, em educação na saúde. É o caso do Sindicato de São Paulo, que realiza inúmeras atividades educacionais atrás de seu Departamento de Projetos e Cursos e até mantém uma escola para os associados e a categoria. Isso é investir no futuro dos trabalhadores da saúde. A CNTS segue o mesmo caminho e uma de suas bandeiras de luta é a aprovação do PL 131/01, que cria o Serviço Nacional de Aprendizagem na Saúde (SENAS). Acreditamos que é grande a responsabilidade de assegurar um futuro melhor para os trabalhadores da saúde. No entanto, essa missão é encarada como prioritária pela CNTS. O caminho para isso é a educação. Estamos fazendo a nossa parte, esperamos que o governo e as empresas do setor também cumpram o seu papel para assegurar um futuro melhor para os trabalhadores da saúde.
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